sábado, 14 de março de 2026

O RONCO NO GRANDE SILÊNCIO

 


filho de homem às portas do lixo

bois a nascerem de rompante

por cima um céu pregado

todas as mentes brilhantes

tecem pareceres

flutuando no topo do arranha céus

quem controla

o velho contacto celeste

se as luzes já se apagaram

vamos desdobrar todas

ambiguidades para nos refugiarmos

nos “ses” das grutas

começar tudo de novo

agora

com o sim engalanado

ofuscando

o não e o talvez...do outro lado

oiço os tacões cardados

batendo nas calçadas, a medo

por ser ainda cedo

o galo ensaiou um cantar

rouco quase inaudível

no topo de uma estrela

com o enorme vento

roncando pelo grande silêncio

gelada a voz da criança

sentada no esfarrapado patamar

vai dizendo em surdina

se um elefante incomoda muita gente

dois elefantes incomodam muito mais

trés elefantes incomodam ainda mais

palavras tristes

nuas tiritam ao vento norte

em gelos glaciares convertidas.

“KimdaMagna