quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Me esqueci / kiamguizibi



Agora que te vi as vísceras em carne viva e para lá dos brilhosdiamantíferos e dos opulentos negros oiros, bolsas enormes larvares dos lixos despejados, nas esquinas do todo, como teu verdadeiro e peçonhento rasto, lá atrás já a tua revolucionária febre se converteu hoje em choruda conta bancária.

Te esqueceste ou nunca foi tua intenção?

Compras casinos e roletas, piscinas em condomínios fechados e a água que dás de beber no teu povo, mata em diarreias dilacerantes e mesmo os cérebros sobreviventes carecem das vitaminas da vida e os bolsos dos tugas, cubas, chinos e brasucas a engordarem com o suor negro que escorre feito cascata. A poeira é tanta que as gargantas secas da ignorância, debaixo das chapas de zinco as criança queimam outra vez mais, o futuro de instrução, ao lado das putrefactas valas que mandaste abrir… para as enterrar de vez? Me desculpe, se vejo só valas drenando lixo , mosquito e crianças carregando o banco para sentar na escola.

Disfarças uma conversa de etno diferenças, que agora definirás caminhos, devolvendo a dignidade, Umbundo para aqui, Kimbundo para ali, mas assobias para o lado o exterminar dos bosquimanes… sabes… aqueles que já habitavam a terra que dizes te pertencer.

Invadido ou Invasor preso no princípio do horizonte da loucura as ambiguidades e indecidibilidades o recuo e a confusão do programa genético a considerar o imaginário como realidade, mentiras repetidas mil vezes verdades se tornam? Te pergunto mais uma vez se manténs no homem delírios o teu ideal de ódio, para satisfação do teu defeito de fabricação?
E benzes te depois, metodista, congregado evangelicamente baptista da água da vida e cantas o inferno aqui no choro dos paraísos prometidos mais além… os catolicismos também a colaborar...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Lembranças

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O falar e o fazer são dois trapinhos juntos...


um tá seco, o outro húmido...


Fazer uma rodilha é imperativo!!!






Ps: O seco e o molhado entendem se

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

KUBÂNDA


 Matt Tali Massalo-Angola


Tudo se torna demasiado tarde , deixa então estrangular te , suavemente com amor ,  reclina te nesta rocha  à luz  , às minhas mãos suaves,   negras,  mantém  no entanto e contigo esse grave gemido sobrenatural para aprenderes a leitura do rio a regressar.
A foz é o regresso ,    e nos terraços de luz debruçados sobre o rio,  envolvidos numa silenciosa cortina , apenas uma canção audível… sobre os ombros um casaco de musgo!
-Consegues sentir a minha verdura?
-O fresco orvalho a escorrer me?
As portas estão abertas, irradica se puderes, os tímidos medos, a adaptabilidade da minha natureza, criará abismos nos nossos dedos, paraísos espreitarão o suor das uvas azuis, embriagando os corpos , o vento abrindo se… lentamente , as coisas permanecerão assim para sempre. Nada.
O Dia voltou se do avesso e breve, breve o sol fará desenhos sobre nós, brotarão dos nossos lábios cálidos refúgios…   fecha os olhos e entra no enigma do desconhecimento. Dá me a tua mão,  agora que nos movemos em círculos crescentes e o oceano geme sombriamente na penumbra.
Um frenético silêncio estabelece se entre nós e está aqui nos contornos de nós e perante o azagaiado mamilo ponteagudo, quero lá saber da alma, e rogo te, fere a minha desnudada savana, para assim perceber a tua profundidade.

Kubânda = Desvendar

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

POASIA

Saber da EVA
origem da vida
necessária
palmada no mataco
 a fácies se tornou
insensível
alma ancestral
crânio gruta, agreste
funje musical, fumega
ainda
pilão na mão da Eva.
...dedos de incêndio
nas bocas dos filhotes
segundos a passar tempo
veias sôfregas
castigam.
Supositar cultura, supositório
no ânus primitivo inculto
sílabas da terra, a inscrever
Poasia.


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Expressão em Kimbundu




---Mukonda ku tuatundu kiá, ki tutena kumona-ku dingi kima.
---O kima tu-ki-sanga, kiala ku tuala mu ia.


........" Porque de onde viemos nada mais há para ver.
..........O que procuramos está lá para onde vamos.


         na obra-----Nós, os do Makulusu  de  Luandino Vieira


sexta-feira, 30 de julho de 2010

ULUME


Sumbeia
o grito princípio
ventre tronco de Mbondo, em mim
seiva escrevendo o tem que ser
aquilo que não nos pertence
completa nos.
Soberania extinta, navego te Oceano
entro te N'gunza, foz adentro
descansarei no verde Palmal, longe
dos pós e pruridos, concavidades
em baús de vida.
É noite, no meio do rio
deitado na pedra lisa, água a correr
anfiteatro paredões em açude
o som da Kwita a ecoar, na alma
das coisas ali
existentes.



Ulume-Homem corajoso
Mbondo-Imbondeiro
N'gunza-Rio que desagua no Sumbe/ Norte.
Kwita-Animal parecido com o rato do tamanho de um coelho e que habita
        na rocha do paredão que acompanha o N'gunza.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

OS GÉNEROS




“ A partir do momento em que há prática de escrita, situamo nos em algo que já não é inteiramente a literatura, no sentido burguês da palavra.
Eu chamo a isso o texto , quer dizer, uma prática que implica a subversão dos géneros; num texto já não se reconhece a figura do romance, ou a figura da poesia, ou a figura do ensaio.”
                                                                        Roland Barthes




Nota: Os Géneros são produtos duma contigência histórica


sábado, 3 de julho de 2010

O perigo nos seus aliciantes...

 Warren

Deixara os fáceis caminhos
seguindo o perigo nos seus aliciantes
contrários em luta.

De avaria em avaria,
 numa halucinogénica evasão
as peças recolocadas, com precisão
na alma doce do prazer
imaculada.

Criar a pequena flor
nos fogos do Inferno
ossos branqueados, mergulhando no rio
que chove dos céus
 olhos sem dor
lembrando...
a água estagnada, gera veneno.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

( a )

Nós,


a ser , unos
somos:  ASSIM
ou noutra posição
mordemos nos, as bocas
caladas
dentes rasgando, as frustes
     e       Os embustes, mas
repetirei
amo- te!!
Não quero que me entendas
 acompanha só
as perguntas dos corpos.






sexta-feira, 11 de junho de 2010

Ximbueko disse...



…um fenómeno através DUMA imaterial energia           esgueira-se vertiginoso    noutra versão         o animal raça determina    tácticaMENTE        sem excepção     que aos outros        as psíquicas funções    não lhes pertencem         lhes chegam         são                                     
          o profeta moderno transgeniza absurdos          tecla electronicamente seguro              certezas catástrofes          em paradigmas pareceres               - acidentes de percurso – dirão   
   ….aonde o tempo é nulo     existe passado       e  futuro             presente      não…









segunda-feira, 7 de junho de 2010

DECOTE FATAL


A fenda peitoral
abriu uma brecha igual
na menina virgem do meu olho
estalou, um estrondo no meu peito
como àrvore rachada pelo raio.
Ao decotares te fatal
és arma letal.

domingo, 2 de maio de 2010

VIVER...mata!

Mwani


uma viúva que é uma outra morta
não viver é o que mais cansa
cada um já escolheu seu cemitério pessoal
todos os dias um bocadinho mais da tumular pose.


não há lugar nenhum nesta andança
num modo diverso de chorar, enraiveço
anel do futuro em dedo apertado
espreita uma gangrena.


minha cura, sete dias vividos ao lado do curso do rio
Noite e Dia
vagueava pelas palavras, vagabundo alfabético me tornei.


Pergunto-me: quantas balas haverão no mundo?

quarta-feira, 28 de abril de 2010

FEITIÇO


aquele ser fitara o abismo de si mesmo
amontoado de brumas
macho, sangrando, como as mulheres
apartado dos sentidos
ritual a ocupar
cada milímetro da sua carne
as folhas escritas, convertidas
em borrão papel.
o planisfério demora no seu caminho
a palma da sua mão
joga cartas com ele, um baralho de jokers.

eu sei o que é isto...
isto é feitiço....

domingo, 25 de abril de 2010

domingo, 18 de abril de 2010

CORPO VASO

Vaso corpo-uma em si mesmo-

Hiato andrógeno
Sofia
Cria, a cria faminta, a loba matilha.

Kotidiano distorcendo a essência
númeno, sensorial
faz sentido na simultaneidade
Femininos/ Masculinos...

Concepção em ventre macho- utopia-
longínqua em espera, racional másculo
subjuga, escolha selvagem
história verdadeira, o mito
loba-homem, não doméstica
o ventre feminino
instinto perdido...
A grande Mãe...

Corpo Vaso.

domingo, 14 de março de 2010

A OFERTA

Cris de Lara

Fechado no laboratório,

criei uma chave METAfísica para ti.

Uma liga durável e insistente,
20% de tesão, 25% de sim, 50% de não
uma combinação maravilhosa e equilibrada
para controlo absoluto do desejo carnal
serás senhora dos actos
na bruta vontade de verdade sexual
fazendo-te ferver por dentro,
odor indisfarçavel do real.


Toma a chave em mãos
guarda-a profundamente em ti
lembra-te ,que mesmo solitário, o sexo
precisa de uma mâozinha.

Chave de liga leve, noema
Para abrir-te ao cósmico movimento.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Paraíso/Lodaçal

DmitryV.Narozhny

 
Nas entrelinhas
dura, o teso mitho.

Intemperado
paraíso dos iniciados
lodaçal da renúncia
beijo em pálpebra lacrimal
simpática fossa, lubrificando
o túmulo da alma.

A entrelinha
é um vazio
a prencher
alegremente
o movimento
dos olhos.

Ps. O vazio pode ser também um começo para o tudo.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A CENTAURA

dmitry v. narzhny

A FUGA AO ESTEREOTIPO DO CENTAURO

Criar para si a liberdade de novas
criações talvez seja um exercício
necessário e uma luta diária.



Ps. Existem infinitas interpretações?




sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

ETERNAMENTE MUTANTE


" Sim meus irmãos, para o jogo da criação
 é preciso dizer um sagrado "sim";
  o espírito, agora, quer a sua vontade, aquele que está
perdido para o mundo conquista o seu mundo"
                                                (Nietzsche,1885)


"O que há de grande no ser humano é ser ponte,
e não meta. O que pode amar-se no ser humano,
é ser transição e um ocaso."
                                            (Nietzsche,1885)


Ps. O esquecimento como hábito elegante.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

OBJECTO ANSIOSO

Freas_Frank_Kelly

OH objecto ansioso
geras um padrão de inferências
de certa forma as partículas quânticas
assemelham-te uma ambiguidade.

OH inpalpável… objecta ansiosa
emerges quer como onda
quer como corpúsculos.

Mas não és
onda nem corpúsculo.

A tua aparência
OH objecta ansiosa
depende do contexto da observação
abrigas-te das garras dos rastejantes.

Atenção desinteressada?
Namoro óptico?

De natural nada tens, escapa-te
o artístico e o estético
afinal os nossos olhos
são os artistas.

As definições essencialistas
como remédio, ou
um simples Bialsepan ?


-Objecta como feminino de objecto.

-Bialsepan- Droga sintética usada para diminuir a ansiedade e a tensão.