terça-feira, 16 de outubro de 2012

POEMA TRÊS()LOUCADO


Quatro campos cinegéticos.


Deste lado dois paraplégicos

Do outro, mais dois alérgicos

A retumbante selva envolvente

no núcleo

Um gigante cérebro dormente

Colar de faz de conta no pescoço da magreza

Uma alma errante tesa

Múltipla sofreguidão carente

No beijo doce em lábio tripartido

Um jogo de olhos oblíquo

Fazia algum sentido

Se a palavra e o gesto iníquo

Tivessem morrido!!

Este indolor pensamento esfaqueia

A guelra de qualquer resistente

Mesmo que de repente

se feche a traqueia

o símbolo ou um outro parente

assim como a inspiração

que me advém de momento

ao trincar a batata frita

será do ketchup razão?

ou da mayonese pensamento?

Esta verve esquisita.



terça-feira, 21 de agosto de 2012

PALAVROSO


O genocídio tecnocrático a que estamos maravilhosamente expostos na ilusão da fodida laboriosa capacidade de trabalho, que nos livrará do conjuntural pontapé no traseiro… iremos engolir em seco.


E as hordas africanas sem duches recentes, arrastando dois ou mais filhos pela mão, alguns ainda aportam nas costas italianas e nas Canárias em mais um logro de bem estar e felicidade.

Impregnado medularmente do perfume estabilidade/felicidade, cheiro mal e o bafo cariado dessa coisa-corja peçonhenta e intocável que é a política, definha-me.

Sou poeta, portanto, pedinte da justiça universal, contra a maldição do real a devorar-nos, contra a crostagem estupidificante dos ileteratos, dos “Eu é que sei”.

O aplauso das maiorias absolutas? que são estúpidas, a efemeridade dos césares? o raio que parta os imberbes da vida, que têm por excelsa ferramenta os lautos “jantares”.

Oceanos de literatura e carne viva ousadia de poesia para vos mostrar os cernes e certezas desta vida até serem tragados com o vosso optimismo cúpido nas alegres estabilidades mentais falseadas pelos neons, arvorados em coisas novas, perfeitamente repetitivos na linearização do ser humano.

Não domesticarão a minha pura natureza humana… garanto vos!!!

Estarei lá, munido da cósmica universal alegria de viver, no zénite do vosso desaparecimento e num gesto poético e triunfal, desinfectarei o vosso mórbido e putrefacto rasto, tendo por testemunho Deus e o Diabo!!!

terça-feira, 27 de março de 2012

DESNORTE


Ás vezes eu penso que sou uma hipérbole ondulante  faiscando amor por todo o canto de dor, rebolando no sistema ancestral, tudo num gesto natural enquanto a palavra palha de  aço como leito me adormece num prurido, coceira de alma sem som.

Só sussurros, alguns urros arranhando o puro sentimento, lamentável engano do Ser atitude visceral, perco o Norte e a sorte me abandona na viagem rumo ao Sul, queria ter mais alguns pontos cardiais para me perder em várias desilusões, olho aberto na imensidão do quotidiano logro esgotando a alegria da visão matinal.

O Sol é companheiro ou errante caminheiro, não nasce para todos se dois seres equidistantes estão. O Este ou Oeste mentem também com todos os dentes que têm na boca. A minha noite e o teu dia como forma de entendimento.

Ás vezes julgo ser uma borboleta assimétrica na entrada/saída da caverna na aula do conhecimento, as asas queimadas pelo sopro quente de uma alienada multidão presa em teia de celofane, tecnicamente conduzida no caminho da Razão.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

CARTA AO MEU AMOR NA LAPÓNIA



Chingo, 16 de Janeiro de 2012


Aqui amor, é o Paraíso multiracial da Terra, somos pobres, mas felizes, cantamos todos os dias e o lixo se acumula alegremente em todos os cantos.
 Me recordo com saudade de seus beijos. A falta de saneamento básico é a força redentora que nos conduz independentemente. Durmo tranquilo e as constantes falhas de luz ajudam ao profundo e retemperador sono. Estou feliz por saber que nos encontramos parados em grande aceleramento, progressivamente em passo “ carangueijeado”.
Quem me dera amor ter te aqui ao meu lado para românticamente nos envolvermos na lustrosa poeira, debaixo do paternal olhar “gasosado” da nossa querida força policial e onde a doença e a morte são nossos Oásis. Como seria maravilhoso (contigo ao meu lado) usufruir dos desmatados espaços e rebolarmos carinhosamente por sobre as cinzas das portentosas keimadas. e banharmos nossos corpos nos transparentes e cristalinos venenos do nosso rio, e até mergulharmos  na solidão do nosso mar sem peixe.

Mas tu não estás aqui e a minha felicidade não está completa-
Teu para sempre e que te ama.

Ximbueko

domingo, 1 de janeiro de 2012

PRIMEIRO DIA DO ANO 2012

Hoje de manhã e sentado na varanda da casa do Chingo, constatei a existência do sexo tântrico, não com humanos, mas observando duas queridas moscas num relacionamento de cerca de meia hora.Se considerarmos o tamanho da mosca, meia hora é tântrico.

De tarde cerca das 14 horas resolvi dirigir-me à Karimba ( uma praia a cerca de 20 kms do Sumbe, para Norte) para apanhar Kitetas,Cadelinhas vulgo Ameixoas. Esta é a saída do asfalto perto dos Carvalhos.
São cerca de 8 kms do asfalto até ao mar.
Entrada para a praia da Karimba.
Último trajecto até à água ( 150 mts)
Para quem gosta de solidão esta é a praia ideal
Para apanhar Kitetas só é preciso entrar na água escavar a areia e  ter um recipiente para as guardar.
Sinto me um pequeno guerreiro depois do esforço.Uma pausa para imaginar o que eu mesmo irei preparar: Kiteta à Ximbueko

Nada de especial, leva as Kitetas,Alho,Cebola,Tomate,Coentros,Gengibre,Jindungo,Azeite,  Manteiga,Cerveja,Vinho Branco.
O segredo está na sensibilidade para dispor os ingredientes dentro da panela e em que quantidades.

Mas antes ainda vou bazar da Karimba. Quero ver um sítio.
O sítio é por aqui na zona Super Gesso,  no topo do morro do Chingo avista-se o Chingo, Sumbe ,o Oceano, até ao Control Sul, já tem obra EMBAGADA e tudo. 
Uma das vistas aqui de cima.Bom sítio para fazer uma casa Tradicional Angolana.

Ximbueko disse...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

AGLOMERADO DEVANEIO

ISMAEL


Um esquema bipolar sem intenção se desenha no olhar do meigo menino
 a faca na mão

esboça brincadeiras nas pontas os dedos mostram direções

o recibo do despropósito
 cava valas profundas para depósito de seres viventes.
Neste aglomerado devaneio, a figura patriarcal
a mãe fizera lhe o cabelo

em tranças oleosas, ordena o seu exército para as tácticas da democratização dos conluios liberais.

O olho mágico por cima da plúmbea nuvem verte ácidos,
 como lágrimas de choro.

Agora
todos os animais aquáticos, em reunião plenária

decidem dos culpados, queixosos e mentirosos que entretanto dançam ao sabor do

som quadrifónico
Numa única redoma, esquecidos dos fluxos das marés

têm a promessa dos paraísos vividos na Terra

pelos pastores das igrejas universais.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

SURREAL FLAMEJANTE


Promessas labiais são como as extensões que te enfeitam, sintéticas e mentirosas, víboras pendentes, mesmo se no beijo açúcar cereja. Teu corpo treme gelatinoso ao mínimo movimento, sabor ácido ascórbico, o olhar metalizado com liga de latão nos bordos, mancha de sangue coagulado na cueca vermelha cavada, uma alva pérola no meio num enfeite atrevido... a simular um engodo. Este asqueroso intróito tem sua missão, escrito no pergaminho ancestral, reforça a nudez pudica do sorriso da púbis.

Quero impressionar a tua pedinte pele, o teu acintoso desprendimento , o  calado desejo da tua fera condição. Deixa lá, são só palavras a escorrer me dos beiços, já feridos do bifurcado veneno a cair no  peito mesmo ali onde o coração bate.

Se pudesse voltar atrás, repetiria o labirinto.

terça-feira, 5 de julho de 2011

UMA FENDA DO GLOBO




Vocalização instintiva animal
sentir te molhada em meus lábios, silêncio da tua dor
ela o corpo… eu… a cabeça… a entrar
onde nunca haveriam entrado, uma fenda do globo
o membro que fende… foi um descalabro
os olhos dela roendo os meus interiores
sangue em ebulição, vapores leitosos, éramos nós
uma liga rara, dura, penetrava
a tua fruta deslizante
lábios que se rendem, tu cúbicas a querer
frição ritmíca polinomial e formal
dedos dispersos, o nariz não chega
só ele é capaz de entrar todo, na toda
fogo sutil, a correr de veia em veia
no mastro do meu veleiro
tetas insufladas

um frémito…quase morro…tremo.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A PALAVRA


...célere e desvastadora
a palavra
atravessou a barreira do som
chapada estrondo nos olhos
e sentires de todos nós
a palavra
afinal escondia outra
a secreta palavra
patas de aranha nela
estranha bifurcada língua
permafrost palavroso
dedilhando verbos
descidas para cima
para baixo a subir
nudez, é a palavra
primitiva
final.

terça-feira, 17 de maio de 2011

BOLSO ROTO DA ALMA

Quadrado de mente


obtuso ângulo na forma de estar.

Sol peneirado queria ele, sonhava alto

este mancebo mesmo se na horizontal posição.

É um deleite de si próprio

arroga certeza químicas

em doméstico laboratório.

Um dia… tropeçou num fio de aranha

nariz caído certeiramente

no centro da teia

deixou de respirar, mas não de ver

o descalabro estatelado onde tombara.

Cogitou ainda uma saída.

Azar… seu spray anti labirinto

caíra do bolso roto da sua alma.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

CARNE TÚMIDA

Eu estava no princípio do espectáculo

quando escutei o murmúrio da noite inclinada,

sussurrando baixinho em meu ouvido

soltou uma voz líquida e compacta como néctar.



A minha vez foi anunciada pela mãe das marés, o privilégio da vida.



Apesar dos contrasins, nas curvas do teu corpo

um livro de sabedoria, guiava me por ti

por entre dedos o tilintar das tuas entranhas

revelou se qual pedra esmerilada, carne túmida

no gemido, as pálpebras quentes a queimar

floriácio devir do toque dos corpos.

Exausto adormeci, sentindo a porta deixada aberta

pelo teu calor, liquefeito eu dentro de ti.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

AS CRIANÇAS... PAI AUSENTE / PLANEAMENTO FAMILIAR



Angola enfrenta hoje um problema social grave que julgo assentar em grande parte na “comercialização” que mulheres e homens estabeleceram entre si. Invariavelmente a mulher tem por hábito logo no primeiro encontro, a colocação do pedido/pergunta: me paga um saldo, gasosa ou me dá um dinheiro se nos reportarmos às camadas mais débeis financeiramente. Claro que o discurso delas é diferente quando atingem níveis mais elevados, tornando se as exigências mais dispendiosas, mas o cerne da questão mantém se. Há relacionamento se houver pagamento. Este interesse mercantilista é claro que também vai ao encontro dos desejos de muitos homens que acabam por obter favores sexuais e desobrigarem se de qualquer responsabilidade/obrigação quando fruto deste relacionamento pode surgir a gravidez. Assim acabamos por encontrar jovens com 15 e 16 anos a carregar às costas bebés e do pai nem rasto. Estabeleceu se assim um ciclo vicioso em grande parte com a ajuda das insuficiências monetárias. Eles a sustentarem 2 e 3 mulheres ( o que é raro, o sustentarem, quero dizer ) pois como o país é grande bazam simplesmente ficando elas a “carregar” os filhos e como são jovens querem curtir a vida e a carne é fraca bazam também para a escola, discoteca ou outros indiscriminados prazeres e quem acaba por carregar verdadeiramente o fardo é a irmãzinha, a sobrinha que não se ocupa só da educação da criança como ainda tem que tratar da lide da casa. Gera este estado de coisas duas vítimas imediatas: A irmãzinha que é escravizada, com tempo escasso para a escola e as próprias crianças que crescem sem o amor e atenção dos progenitores.

Uma base social assim não consolida a célula familiar e as condições de subalimentação em que vivem grande número de crianças agrava se e potencia o enfraquecimento da afectividade. Junte se as condições de fraca habitabilidade, sem água, saneamento básico, luz eléctrica e os escassos recursos monetários, e temos o campo estabelecido para o desinteresse pela vida ( a vida não tem grande valor em Angola) a irresponsabilidade e o baixo contributo para o sistema produtivo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

ENGRAXADOR DO SUMBE

Hoje na esplanada Bar Jardim situada na saída para o Chingo e gerida pelos amigos Pais da Cunha, "fui obrigado" a registar a aparição de um rapaz angolano de profissão Engraxador que considero um exemplo da criatividade dos jovens angolanos. Ocorrerram me logo ali a tomada de várias opções: a crítica social, a constatação de alguma anarquia em termos das propriedades identitárias, até as nuances da fiscalidade, mas prefiro realçar a potência humorística do caso.
O rapaz exerce a sua actividade pelos bares e passeios do Sumbe e resolveu ele próprio fabricar a sua autenticação profissional e para tal elaborou a sua própria carteira profissional com requintes de perfeição, pois até plastificou o "documento".


 


O letering da sua tshirt arremata a ação.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

TELMA


Ver te… porte de Senhora

menina em corpo…

relampejou meus olhos

trovão no coração a palpitar.

Foi arritmia ou o brilho dos teus olhos?



No dia seguinte…

Das alturas desceste

Gabela, disseste ,e nós

Cá em baixo, mesmo ali onde nasci

Destinos em cruzamento Kissalando?



Meu sangue segreda nas veias,

Sussurrando

Telma… Telma… Telma…

Flor a germinar!!!



quinta-feira, 7 de abril de 2011

MADALENA



Flor Açucena…

comprometida

meu coração tem pena

chora

lágrimas de diamantes

a sonhar teus lábios

carnudos

a correr meu corpo

estrelas em teus dedos

nossos corpos a tremer

no calor tropical…

sonho.

terça-feira, 5 de abril de 2011

TRANSPORTE URBANO EM ANGOLA

Como Angolano que me prezo de o ser, não tenho qualquer orgulho ou segundas intenções escondidas quando apresento as minhas críticas ao meio envolvente que me é dado observar.

Por isso é com satisfação que registo a solução que se encontrou e pratica para a solução do transporte de pessoas e mercadorias em contexto urbano em Angola e mais concretamente no Sumbe. Soluções como estas levam a crer que a a maioria dos problemas Angolanos passam pela genuidade e não pela importação de modelos que embora funcionando nas suas origens claudicam aqui no contexto Angolano.

1- O carro de mão ( Kangulo )



Construído basicamente com madeira tem um eixo em ferro que suporta e onde rola o pneu que normalmente é adaptado dos veículos motorizados e pode levar um rolamento que acaba por lhe conferir uma capacidade de vencer com facilidade o atrito. Serve para o transporte de pequenas mercadorias ou objectos de pequena e média dimensão tais como trouxas de roupa, artigos de mercearia, malas, sacos de cimento, cestos etc. A sua manobralidade é altamente eficaz especialmente nos contextos urbanos de alta densidade populacional como é o caso da maioria das cidades Angolanas e os preços praticados dependem das distâncias a percorrer, ajustam se perfeitamente ao poder económico das classes baixas e médias.
Dos três transportes que cito o Kangulo respeita a natureza. Sem a poluição dos gases produzidos pelos combustíveis e movido pela força humana.

2- Motorizada táxi ( Kupapata )



Dada a sua personalização, transporta só um passageiro e ao contrário do táxi carrinha tem uma maior autonomia em termos de trajecto a seguir, assim como de local para onde se pretende ir, daí terem um custo mais elevado. No Sumbe e para fazer uma distância de 5 Kms custa cerca de 200 Kwanzas enquanto o mesmo trajecto e se efectuado com a carrinha táxi custará 50 Kwanzas. Convenhamos que o risco de acidente é maior se compararmos com a carrinha. Julgo eu que isto será fruto do menor controlo que é exercido, pois proliferam as motorizadas sem seguro e sem licença.

3- Carrinha táxi



As carrinhas táxi podem levar até 14 passageiros de cada vez e os tempos de espera são quase nulos e embora se chamem de táxi têm mais a função de carreira urbana. Estão uniformizados na sua cor e estilo de carrinha que é sempre fechada.

É conduzida por um chofer com a ajuda do cobrador ( Kobele ) que é a pessoa que cobra o dinheiro e que tenta chamar o cliente nas horas de embarque. Como não há bela sem senão a maioria circula com o som alto e quase sempre sujas. Mas em termos de escoamento de passageiros é altamente eficaz. Como referido no ponto dois o custo da viagem é acessível à maioria das bolsas, que são sempre as mais desfavorecidos em termos monetários.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

NEGRITUDESÃO

Infinito
negritude

escorre te os cabelos

na

mordedura labial

Éden à mão

veneno

enroscado

no desejo.

sábado, 26 de março de 2011

MICROSOCIOLOGIA


A educação vista como um propósito de dotar os indivíduos com as ferramentas que lhe possibilitarão a liberdade e inteligência do pensamento, tem como condição primária uma alimentação rica e equilibrada. É absolutamente infrutífera a ação de fornecer a informação educacional/instrutiva a um corpo alimentado deficientemente.

A dieta alimentar está relacionada com o grau de desenvolvimento que qualquer grupo pode atingir, por isso e antes de tudo a inteligência é “comestível”.

Sendo assim e no seu processo educacional a criança alicerça o seu trajecto, no conhecimento da língua, na sua qualidade e diversidade de vocabulário, para desenvolver a capacidade de pensar lógico, a sensibilidade para as formas simbólicas e de poder relacionar toda a informação diversificada.

O plano microsociológico estudará assim os diferentes modos de ligações sociais (formas de sociabilidade), isto é os diferentes tipos de relações sociais que se estabelecem entre os membros de uma colectividade e as diversas formas pelas quais esses membros estão ligados ao todo social pelo todo social. O exercício da intersubjectividade a apreensão correcta dos papeis/ posições que levarão à estrutura, a compreensão das normas do espaço social, as formas de ligação que constituem os processos, determinarão os cinco níveis que passo a mencionar:

1. Nível preliminar ( reconhecimento do assunto ).

2. Nível literal ( reconhecimento do conteúdo específico ).

3. Nível compreensivo ( reconhecimento da complexidade existente ).

4. Nível de relação ( estabelecimento de relações interpessoais/interindividuais. Os actores sociais).

5. Nível simbólico ( o mesmo do anterior, contextos diferentes, ajudam a esclarecer ).1

De posse dos elementos atrás referenciados estaremos mais aptos a encontrar soluções mais abrangentes e ficaremos certamente “ mais informados”.


1RAYMOND QUIVY E LUC VAN CAMPENHOUDT, Manual de Investigação em Ciências Sociais, Lisboa,Gradiva,1992,p.48.




domingo, 23 de janeiro de 2011

PERFUME MEU, DIZ ME SE HÁ MAIS BELA QUE EU?


Em mentira dupla chegaste, vinhas de perfume exótico caro, a cor do cabelo que não era a tua, reconheço que transportavas um certo ar de felicidade, segredando me na pupila, que tinhas um negócio a propor.
- Um negócio?
Que era uma maneira de falar, esclarecimento logo dado, pretendias atingir me o coração sem rasgar a pele!
Como resposta tive dois pensamentos. Por um lado exigiria o cheiro genuinamente dela posto em gota na ponta da minha língua para o devido teste, por outro, a imediata descoloração do seu cabelo e assim lhe dizendo justifiquei que o meu coração não suportava o falso, que era uma familiar alergia herdada, que eu até gostava do caro e exótico perfume mas não se podia brincar com as alergias. Pura curiosidade, ainda perguntei se haveria derrame de sangue (sem rasgar a pele?) e como faria ela as transfusões?
- Que nada, nem sangue nem sofrimento, usaria no entanto uma anestesia geral como castigo contra as duas exigências, mas aceito as, dá me um tempo para o fazer.
Um tempo passado, o mundo em volta de si e do sol várias vezes, já um cansaço nervoso da espera se instalara, quando em busca desesperada encontrei espetada num jornal notícia sobre ti. Que tinhas derramado inadvertidamente o sol com o teu perfume caro (no deita fora) e as línguas de fogo assim provocadas tinham te consumido ficando reduzida a cinzas e naquele  mesmo instante um forte sopro de vento levou te pelo mundo, segundo o testemunho de vários passantes e um polícia... assim rezava a notícia.
Respirei de alívio - paz à sua alma e que DEus me perdoe - por continuar a não saber como será atingir o coração sem rasgar a pele.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

EM OBSERVAÇÃO



Entrou pela varanda, um pedido ultimatum traduzindo se em vozes e línguas variadas, uma laranja amarga nas todas bocas. Elevou se uma diz sintonia entre as coisas presentes, até mesmo, às que foram chegando retardatárias como usual.

Observado com atenção, de olhos e ouvidos, podia se apalpar (pasme se) a obra alquímica e mágica, as susceptibilidades em choque, adornadas de retóricas plausíveis no gesto da racionalização, arrebanhando e ordenando as incumbências, quer dizer, o exercício da “cidadania civilizada”.

Podemos ver esta encenação montados num prisma humorístico e rir saudavelmente por cima deste sério ensaio de vida, se disfarçados sempre de crianças – como adultos haverá castigos - o ponto de vista crucial como bola a rolar nos para longe dos chacais do “ tem que ser” e reter sempre à mão o NÃO rotundo.

Teme se. Porque se deve na dívida do todo não partilhado, uns charutam outros cigarram, a maioria em câncer formigueiro labuta uma bruta culpa da falta de instrução. Um Destino.

Deu Deus as nozes a quem não tinha dentes? - A proverbial resposta ainda por encontrar.

Caminha devagar deste lado do mar, do coração, demora te a contemplar todas as curvas e rectas que usas e procura saber de que matéria será feito o olhar. Deambula por entre as ásperas calçadas, com pezinhos de lã para que te não oiçam e reserva um assento sumptuoso para os tempos de espera, para te não consumires na voragem do compra e vende.